De 2 a 30 de Março de 2009
5 aulas, às segundas-feiras, das 18h30 às 20h30h

Neste curso será abordada umas das cinematografias mais originais dos últimos cinquenta anos. O estilo despojado, onde nada devia estar a mais nem a menos, é o oposto do espectáculo, sem, no entanto, se tornar abstracto ou teórico.
Os diálogos reduzem-se a enunciados sem entoação, os actores não representam - todos cumprem destinos silenciosos e encontram a libertação por trilhos do acaso.
No entanto, Robert Bresson queria que o silêncio e ruídos se tornassem música - a música de todos os dias. Sensualmente, como os olhares que se cruzam, as mãos que quase se tocam e os seres que se redimem, a câmara também se move sem que a técnica seja detectada. A sua função é paralela ao vento que sopra onde quer, religando o visível ao invisível.

***

    Por coincidência, até ao final de Março decorre na Cinemateca um ciclo dedicado a Robert Bresson, cuja programação pode ser consultada aqui.
    A retrospectiva iniciou-se com uma instalação escultórica de Rui Chafes, dedicada ao realizador, sob o lema do Pickpoket e lançamento de livro com textos e poemas de João Miguel Fernandes Jorge, que inclui fotografias feitas por Rita Azevedo Gomes a partir dos filmes.

Sessões aulas no AR.CO.

Sessões Cinemateca

2 - 3– Les Dames du Bois de Boulogne

1- Les dames du bois de Boulogne- dia Sex. 27 de Fevereiro 19:00 - Sala Dr. Félix Ribeiro

9- 3- Un Condamné à Mort s'Est Échappé + Pickpoket

3- Un Condamné à Mort s'Est Échappé- Cinemateca dia 6-3-09 19:00h + Pikpocket – Cinemateca- dia 19 de Fevereiro - 21:30

16-3- Le Procés de Jeanne d’Arc

4- Le Procés de Jeanne d'Arc- Cinemateca dia 9-3 19 :00h

23-3- Au Hasard Balthazar

5- Au Hasard Balthazar- Cinemateca dia 11-3 21.30h

30-3- Mouchette

6- Mouchette- Cinemateca 25-3-09 19:30


Robert Bresson: Acredito na musa do cinema. Degas dizia: "As musas não falam entre si, elas dançam juntas"-no programa de televisão Pour le Plaisir de 11 de Maio de 1966 dedicado a "Au Hasard Balthazar".

30.3.09

«faire éclater le Magnificat»



Venez venez fillettes
Faut pas rester sur terre
Vaut mieux vaut mieux mourir


[…]
On vit trois étincelles
Et puis plus rien le rêve
Le rêve et le soleil



[Apollinaire recordado por Jean Sémolué]
PDF de Nouvelle Histoire de Mouchette- de Georges Bernanos

25.3.09

O silêncio já não ser possível

«Penso que no mundo as coisas vão muito mal. As pessoas estão a tornar-se mais materialistas e cruéis… cruéis por preguiça, por indiferença, por egotismo, porque só pensam em si próprias e não acerca do que acontece à volta delas e assim deixam que tudo se torne feio e estúpido. Só lhes interessa o dinheiro. O dinheiro está a tornar-se o seu Deus. Deus deixou de existir para muitos. O dinheiro tornou-se qualquer coisa pela qual se deve viver. V. sabe, mesmo os vossos astronautas, o primeiro que pôs o pé na lua, a primeira vez que viu a terra disse que foi uma coisa tão miraculosa, tão maravilhosa- não a estraguem, não lhe toquem. Cada vez mais profundamente sinto o modo podre com que estão a deteriorar a Terra. Todos os países.










O silêncio já não existir, não o pode encontrar. Isso, para mim, seria algo que tornaria impossível viver».
Robert Bresson,entrevista a Paul Schrader, "Robert Bresson, Possibly", Film Comment (September-October 1977)

Les poètes ne dénaturent pas la nature

«Je veux, moi, me perdre en la nature, repousser avec elle, comme elle, avoir les tons têtus des rocs, l’obstination rationnelle du mont, la fluidité de l’air, la chaleur du soleil. Dans un vert, mon cerveau tout entier coulera avec le flot séveux de l’arbre. Il y a devant nous un grand être de lumière et d’amour, l’univers vacillant, l’hésitation des choses. Je serai leur olympe, je serai leur dieu. L’idéal au ciel s’épousera en moi. Les couleurs, écoutez un peu, sont la chair éclatante des idées de Dieu. La transparence du mystère, l’irisation des lois».

Paul Cézanne.
Propos rapportés par Joachim Gasquet,dans Cézanne, Paris, Bernheim jeune, 1921.Repris dans Les créateurs et le sacré,par Camille Bourniquel et Jean Guichard-Meili, Cerf, 1956




«La montagne, c’est les toits, les arbres... , mais c’est aussi une feuille, un insecte... Il me semble que ce sont les deux façons de voir les choses par la caméra : voir de loin et voir de près. S’approcher des choses, c’est peut-être la façon de voir les choses surnaturelles
(...)
Il y a une très belle phrase de Bernanos que je voulais mettre dans un de mes films "Il n’y a pas un royaume des vivants et un royaume des morts, il y a le royaume de Dieu et nous sommes dedans." Je voudrais arriver à avoir autre chose sur l’écran que les corps en mouvement, je voudrais arriver à rendre sensible l’âme et cette présence de quelque chose de supérieure qui est là toujours et qui est Dieu».

Propos de Robert Bresson, retranscription par Haitao Huang à partir du documentaire : Bresson, ni vu, ni connu réalisé par François Weyergans, 1965.

19.3.09

passinhos de pássaro


«In the movement image of her feet, Jeanne d’Arc becomes a nameless animal. While in other films of Bresson like “Pickpocket” the autonomy of hands transfigures the body into weightless beauty, in Jeanne d’Arc the gravity of the body sinks into the feet. Feet, which are part of a concrete body, but at the same time, de-individualize this body. Feet, which are kicked by other feet of the anonymous crowd, but straighten up themselves. According to Gilles Deleuze life manifests itself not in triumph but in fall and disfiguration. In this Deleuzian sense, this physical contiguity of body and matter insists on a vitalism in the moment of falling.

A dog follows the way that Jeanne’s feet have gone before, then the dog stops for a while, trots a few steps further, stops again and raises his head. Bresson cuts to a close-up of Jeanne’s feet and slowly pans up from her feet to her face.
The mastery relation between gaze, scripture and speech is only suspended in this apparently incidental moment of animal mimesis.
In a second animal image Bresson condenses this insignificant significance in an even more minimalist manner than in the first one. After the image has almost disappeared under the smoke of fire, Bresson cuts to the roof of the judge’s tribune. A low angle shot shows a transparent roofing, where the silhouettes of two doves are flattering back and forth»

to paraphrase Deleuze’s “any-space-whatever”: “In Bresson, the birds are birds: there they are, make of them what you will.” Horton, Robert: The Trial of Joan of Arc. In: Film Comment 1999, S. 53

As silhouettes the doves are pure indexical signs of the “splendor of pure reasonless being”.
Rancière, Film Fables, S. 8.
Bresson’s animals are stripped of any metaphoric value.
The splendor of infamous life is sensually burst open in the materiality of Bresson’s images. Becoming animal and becoming human engulf each other in the truth of suffering flesh

Bruno Bouquet/Sulgi_Lie_Creatural_Cinema Robert Bresson’s Animal Images

Joana d'Arc



«Il avait attiré mon attention sur la façon dont Jeanne échappe au piège des questions les plus pernicieuses. Par une sorte d'opération poétique qui est sa logique propre. Au sujet de saint Michel, par exemple, quand on la harcèle sur ses apparitions:

- Était-il nu ?
- Pensez-vous que Dieu n'ait pas de quoi le vêtir ?
- Avait-il des cheveux ?
- Pourquoi les lui aurait-on coupés ?
- Comment saviez-vous que c'était saint Michel ?

- Par sa façon de parler, et son langage d'ange.
- Comment saviez-vous que c'était langage d'ange ?
- Je l'ai bientôt cru. J'ai eu la volonté de le croire.


Cette phrase n'a plus quitté ma vie.

L'amour et l'admiration que Robert Bresson suscita, l'été de mes vingt ans, pour les paroles qu'il me donnait à dire, une note marginale, sur les minutes du Procès de condamnation, en porte le plus ancien témoignage. On demandait à Jeanne si elle croyait être en la grâce de Dieu, elle répondit : Si je n'y suis que Dieu m'y mette, et si j'y suis que Dieu m'y tienne. L'anonyme greffier, scribe, sbire, clerc ou juge, je ne sais, n'a pu s'empêcher de noter au passage, dans la marge : « Responsio superba ».

Ses superbes réponses, d'où venaient-elles ? Robert Bresson a filmé aussi l'invisible. En limitant, je dirais presque en enfermant le visible, de façon si concrète que les plans en deviennent intemporels. Qu'y a-t-il à voir en prison, dans n'importe quelle prison?
Des coins, des murs, un lit, une porte, un judas, des chaînes. Toute l'attention se fixe sur la liberté intérieure de la captive, sur son visage, autrement dit, son âme.»

um burro preto, meio funcionário, meio padre



«Figura de Cristo (a paixão, a subida ao Calvário — o que por alguns foi julgado fortemente blasfematório) é figura dum divino sem poder ("quis um burro preto, meio funcionário, meio padre", disse Bresson), de certo modo, figura também do ordenador que o realizador quer ser ("O burro sou eu" — também disse Bresson). É dele que vem a mise-en-ordre, que dispõe as peças soltas desta insólita narrativa (tão soltas que algumas há — como a conversa dos pintores sobre a cascata — que parecem não ter qualquer articulação com o resto). É dele que vem a carga mítica desta obra, polarizando num erotismo latente (referência à mitologia quando Gérard insinua uma relação burro-Marie), que não é dos seus múltiplos e complexos aspectos (inesgotáveis numa folha) nem o menos inquietante nem o menos ambíguo».

João Bénard da Costa, Folhas da Cinemateca, Cinemateca Portuguesa, Setembro de 2001

Jornalista: Há algo de bastante perturbador, obscuro e ambíguo na relação de Marie com Balthazar...
Robert Bresson: É amor com um objecto não muito claro. Os adolescentes podem apaixonar-se por algo muito vago, muito indefinido. O amor precisa de ter um objecto. O objecto de amor dela não é o burro. Penso que o burro é apenas um intermediário.
Anne Wiazemsky: Eu acho que é uma manifestação de ternura... talvez mesmo de amor, talvez. No fim de contas, é comum enfeitar os animais que estimamos com flores.
Jornalista: Mas não de noite...
Anne Wiazemsky: Porque não, se estivermos acordados?
Robert Bresson: A grande dificuldade é que toda a arte é abstracta e sugestiva ao mesmo tempo. Não é preciso mostrar tudo. Quando mostramos tudo, deixa de ser arte. A grande dificuldade no cinematógrafo é precisamente não mostrar. O ideal seria não mostrar nada mas isso é impossível.

Excerto do programa de televisão Pour le Plaisir,11 de Maio de 1966.


Bresson associa o burro a um episódio na vida de Santo Inácio de Loyola quando este quis matar um mouro que, pensava ele, tinha ofendido a Virgem Maria. Enquanto perseguia o “infiel”, contudo, Inácio sentiu escrúpulo e deixou que a sua mula decidisse o que fazer. “O animal escolheu a via da clemência, não a do castigo”
[…]
O burro é a Bíblia inteira, o Antigo e Novo Testamento”
[…]
Dependendo das mãos a que vai parar, ele sofre do orgulho, avareza, da necessidade de infligir sofrimento, ou sensualidade, e finalmente morre. Ele é um pouco como o personagem Charlot nos primeiros filmes de Chaplin, mas não é mais que um animal, um burro, que traz com ele o erotismo e ao mesmo tempo uma espécie de espiritualidade ou Cristianismo místico»

Entrevista televisiva com Roger Stéphane, in Télé-ciné, nº 173, (Março-Abril 1967), p. 4.
René Maurice, “De Lucifer à Balthazar, en suivant Robert Bresson,
Luimère et vie, nº 78 (1966, p. 46. Cit por Joseph Cunneen, Robert Bresson, A Spiritual Style in Film, Continnum, New York, 12003.


Burro que restituiu a lucidez ao Príncipe Mishkin:

«... Não podia ligar mais de duas ou três ideias seguidas. Pelo menos, assim me parece. Quando os ataques paravam, voltava a ser saudável e forte, como agora. Lembro-me: sentia uma tristeza insuportável, tinha até vontade de chorar. Tudo me parecia estranho, e estava constantemente inquieto, atormentava-me muito que tudo fosse alheio. Isso sim, eu percebia-o. Feria-me o alheio. Uma vez, à noite, despertei completamente dessas trevas, lembro-me, foi em Basileia, na fronteira da Suiça; acordou-me o zurrar de um burro numa feira urbana. O burro deixou-me estupefacto e, sabe-se lá porquê, gostei muito dele, e com isso, de repente, foi como se tudo ganhasse clareza.


— Um burro? É estranho — observou a generala. — Aliás, não há nada de estranho nisso, alguma das presentes é capaz de apaixonar-se até por um burro...»

Dostoiévski, O Idiota, tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra, Editorial Presença Julho 2001, p. 60.


“Man 1: Et puis, jaillissent sur ma toile une multitude de structures dont je ne suis pas le maître et comportant chacune une dialectique. Ce n’est pas la cascade que je vise mais ce qu’elle me dictera. D’ailleurs sans aucun rapport logique avec elle. Sa chûte me mettera en mouvement.
Man 2: Une peinture cérébral? Une peinture de pensée?
Man 1: Une peinture d’action, ‘action painting.’”
S: Most of your films are adaptations. Why did you create both story and script for Pickpocket and Au hasard, Balthazar ?
B: In the latter case, I can answer the question simply. One day I saw very clearly a donkey as the center of a film, but the next day that image faded away. I had to wait a long time for it to return, but I always wanted to make this film. You may recall that in Dostoyevsky's The Idiot Prince Myshkin says he recovered his good spirits by seeing a donkey in the marketplace. Pickpocket is another matter. I have always liked manual dexterity and, when young, made balancing toys, juggled, etc. I've never understood intellectuals who put dexterity aside.
S: Everything you say points to your belief that the human mind isn't enough.
B: Our senses tell us more than our intelligence.

You told Godard that you prefer as often as possible to replace image by sound. Why?
B: Because the ear is profound, whereas the eye is frivolous, too easily satisfied. The ear is active, imaginative, whereas the eye is passive. When you hear a noise at night, instantly you imagine its cause. The sound of a train whistle conjures up the whole station. The eye can perceive only what is presented to it.
(:..)

S: Why did you include in Au hasard, Balthazar that short scene with the action painter?
B: He sits on a clever donkey; I make him speak nonsense.
S: Do you know how this has been interpreted?
B: That I like action painters?
S: Yes. Not only that, but that he symbolizes your method as a director because he says that his paintings catch the essence of a thought. But that is obviously wrong.
B: Originally, I had three other people talk in that scene, but I cut them out while editing because the scene was too long.

Charles Thomas Samuels INTERVIEWS Robert Bresson,Paris, September 2, 1970

Ver também: Raymond Watkins, Portrait of a Donkey: Painterly Style in Robert Bresson’s Au hasard Balthazar

16.3.09

O burro é a Bíblia inteira, o Antigo e o Novo Testamento



«Dependendo das mãos a que vai parar, ele sofre do orgulho, avareza, da necessidade de infligir sofrimento, ou sensualidade, e finalmente morre. Ele é um pouco como o personagem Charlot nos primeiros filmes de Chaplin, mas não é mais que um animal, um burro, que traz com ele o erotismo e ao mesmo tempo uma espécie de espiritualidade ou Cristianismo místico»

Entrevista televisiva com Roger Stéphane, in Télé-ciné, nº 173, (Março-Abril 1967), p. 4.

Filmografia

_1934 > Les Affaires Publiques-Inédito comercialmente em Portugal-Primeira apresentação em Portugal: Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, a 1 de Junho de 1990
_1944 >Les Anges du Péché-Estreia mundial: 23 de Junho de 1944-Inédito comercialmente em Portuga-lPrimeira apresentação em Portugal: Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, integrado no Ciclo Robert Bresson, a 5 de Abril de 1978

_1945 >Les Dames du Bois de Boulogne-Estreia mundial: Paris, 21 de Setembro de 1945-Inédito comercialmente em Portugal-Primeira apresentação em Portugal: Cine Clube do Porto, Cinemas Batalha e Águia de Ouro, a 21 de Novembro de 1954

_1951 >Journal d'un Curé de Campagne-Estreia mundial: Festival de Veneza, 1951-Inédito comercialmente em Portugal frequentes exibições, em cine-clubes, nos anos 50, em cópia jamais distribuída-Primeira apresentação em Portugal: Iniciativa do Centro Cultural de Cinema (Cine-clube de universitários para uma cultura cristã) a 30 de Maio de 1957, no Jardim Cinema

_1956 >Un Condamné à Mort s'est Echappé (ou Le Vent Souffle ou Il Veut) -Estreia Mundial: Paris, 4 de Dezembro de 1956- Estreia em Portugal: Cinema Império, a 14 de Abril de 1959

_1959 >Pickpocket-Estreia Mundial: Paris, 12 de Janeiro de 1960-Estreia em Portugal: Cinema Tivoli, 26 de Junho de 1961

_1962 >Procès de Jeanne d'Arc-Estreia Mundial: Festival de Cannes, 30 de Maio de 1962-Inédito comercialmente em Portugal-Primeira apresentação em Portugal: nos anos 60, em sessão privada no São Luiz

_1966 >Au Hasard Balthazar-Estreia Mundial: Paris, 6 de Maio de 1966-Ante-Estreia em Portugal: Cinema Londres, a 26 de Novembro de 1972-Estreia em Portugal: Cinema Satélite, a 12 de Julho de 1974

_1967 >Mouchette-Estreia Mundial: Paris, 28 de Maio de1967-Estreia em Portugal: Cinema Vox, a 3 de Julho de 1972

_1969>Une Femme Douce Estreia Mundial: Paris, 28 de Agosto de 1969-Estreia em Portugal: Cinema Estúdio (Porto), a 21 de Julho de 1970

_1971 >Quatre Nuits d'un Rêveur-Estreia em Portugal: Lisboa(cinema Estúdio), 5 de Janeiro de 1972

_1974 > Lancelot du Lac-Estreia Mundial: Festival de Cannes, Maio de 1974- Estreia em Portugal: Cinema Ávila, em 29 de Maio de 1998

_1977 > Le Diable Probablement-Estreia Mundial: Paris, 14 de Junho de 1997-Inédito comercialmente em Portugal Primeira apresentação em Portugal: Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, integrado no Ciclo Robert Bresson, em Abril de 1978

_1983 >L'Argent-Estreia Mundial: Paris, 18 de Maio de 1983, depois de exibido no Festival de Cannes, Maio de 1983- Inédito comecialmente em Portugal- Primeira apresentação em Portugal: Cinemateca Portuguesa, a 19 de Setembro de 1983

in- Folhas da Cinemateca, Cinemateca Portuguesa, Setembro de 2001

Bibliografia

Escritos de Bresson

• Bresson,Robert, Notas sobre o Cinematógrafo, tradução de Pedro Mexia, Elementos Sudoeste, Porto Editora,(Janeiro 2004)
• Bresson, Robert.
"Notes on Sound."Translated by Jonathan Griffin. In Film Sound: Theory and Practice, edited by Elisabeth Weis and John Belton, 149. New York: Columbia University Press, 1985.
• Bresson, Robert. "Qui? Pourquoi? Comment?" Cahiers du cinéma, no.161-162
(January 1965): 14,15
• Bresson, Robert. "Réponse de Robert Bresson á François Leterrier." Cahiers du cinéma, no. 67 (January 1957): I.

Textos acerca de Bresson

• Armes, Roy. "Innovators and Independents: Robert Bresson." In Great Film Directors: A Critical Anthology, edited by Leo Braudy and Morris Dickstein. New York: Oxford University Press, 1978.
• Arnauld, Philippe. Robert Bresson. Cahiers du cinéma. Collection "Auteurs." Paris: Cahiers du cinema, 1986.
• Ayfre, Amédée. "The Universe of Robert Bresson." In The Films of Robert Bresson, edited by Ian Cameron. New York: Praeger Publishers, 1970.
• Bazin, André. "Le Journal d'un curé de campagne and the Stylistics of Robert Bresson." In What is Cinema 2 Volumes, edited and translated by Hugh Gray. California: University of California Press, 1967.
• Bordwell, David, and Kristen Thompson. "Sound in the Cinema. Functions of Film Sound: A Man Escaped. " In Film Art: an Introduction. Reading, Mass.: Addison-Wesley, 1979.
• Ciment, Michel. "I Seek Not Description But Vision: Interview with Robert Bresson." Projections 9, edited by Walter Donohoe and John Boorman, translation Pierre Hodgson. London: Faber and Faber Limited, 1998.
• Daney, Serge and Serge Toubiana. "Entretien avec Robert Bresson." Cahiers du cinéma, nos. 348-349 (June/July 1983): 12-15.
• Delahaye, Michel and Jean-Luc Godard. "The Question: Interview with Robert Bresson." Cahiers du cinéma in English, no.8 London: British Film Institute
Publishing, 1967.
• Doniol-Valcroze, Jacques, and Jean-Luc Godard. "Entretien avec Robert Bresson." Cahiers du cinéma, no. 104 (February 1960): 3-9.
• Durgnat, Raymond. "Diary of a Country Priest." Films and Filming 13, no.3 (December 1966): 28-32.
• Estève, Michel. "Bresson et Bernanos." Cinéma 72-92, no.294 (June 1983): 12-17.
• Hanlon, Lindley. Fragments: Bresson's Film Style. Rutherford N.J.: Fairleigh Dickinson University Press, 1986.
• Hodara, Philippe. "Entretien avec Robert Bresson." Lumière du cinéma, no.6(July/August 1977):15-17, 80.
• Hourigan, Jonathan. "On Two Deaths and Three Births. The Cinematography of Robert Bresson." Stills I , no. 3 (Autumn 1981): 27-38.
• Kovacs, Yves. "Entretien avec Robert Bresson." Cahiers du cinéma, no.140 (February 1963): 4-10.
• Lambert, Gavin. "Un condamné á mort s'est échappé." Sight and Sound 27, no.I (Summer 1957): 32-33, 53.
• Loiselle, Marie-Claude. "Poetique du montage." 24 Images, no.77 (Summer 1995): 12-15.
• Lopate, Philip. "Films as Spiritual Life." Film Comment 27, no.6 (November/ December 1991): 26-30.
• Magny, Joël. "L'expérience intérieur de Robert Bresson." Cinéma 72-92, no.294 (June 1983): 19-26.
• Murray, Leo. "Un Condamné à Mort s'est Échappé." In The Films of Robert Bresson, edited by Ian Cameron. London: Studio Vista Limited, 1969.
• Oudart, Jean-Pierre. "Bresson et la vérité."
Cahiers du cinéma, no. 216 (October 1969): 53-56.
• Polhemus, Helen M. "Matter and Spirit in the Films of Robert Bresson." Film Heritage 9, no. 3 (Spring 1974):12-16.
• Prédal, Réné. "Robert Bresson: L'Aventure intérieure." L'Avant-Scène, nos. 408/409 (January/February 1992.)
• Quandt, James, ed. "Introduction." In Robert Bresson. Toronto: Toronto International Film Festival Group, 1998.
• Reader, Keith. "D'où cela vient-il? : Notes on three films by Robert Bresson." French Studies 40, no. 4,1986.
• Richie, Donald. "Bresson and Music." In Robert Bresson. edited by James Quant. Toronto: Toronto International Film Festival Group, 1998.
• Rosenbaum, Jonathan. "The Last Filmmaker: A Local, Interm Report."Chicago Reader (26 January 1996).
• Samules, Charles Thomas. "Robert Bresson." In Encountering Directors. New York: Capricorn Books, 1972.
• Schofer, Peter. "Dissolution in to Darkness: Bresson's Un Condamné á mort s'est échappé." Substance, no. 9 (1974):59-66.
• Schrader, Paul. Transcendental Style in Film: Ozu, Bresson, Dreyer. Berkeley and Los Angeles: University of California Press, 1972.
• Sitney, P. Adams. "Cinematography vs. the Cinema: Bresson's Figures." In Modernist Montageby P. Adams Sitney. Columbia University Press, 1989.
• Sloan, Jane. Robert Bresson: a guide to references and resources. Boston, Mass.: G.K. Hall, 1983.
• Sontag, Susan. "Spiritual Style in the Films of Robert Bresson." In Against Interpretation by Susan Sontag. New York: Farrar, Straus & Giroux, Inc.,1964
• Thiher, Allen. "Bresson's Un Condamné À Mort: The Semiotics of Grace." In The Cinematic Muse: Critical Studies in the History of French Cinema by Allen Thiher. Missouri: University of Missouri Press, 1979.

Online: Encountering Directors-Charles Thomas Samuels -Intervews- Robert Bresson,Paris, September 2, 1970

Cinematógrafo

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Quando não sabes o que fazes» e que o que fazes é o melhor, é isso a inspiração

*

Traduzir o vento invisível pela água que ele esculpe ao passar

*

Esvaziar o tanque para apanhar os peixes

*

Não uma bela fotografia, não belas imagens, mas imagens e fotografias necessárias

*

Provocar o inesperado. Esperá-lo

*

Não corras atrás da poesia. Ela introduz-se por si mesma através das articulações

*

Modelo. Ele fecha-se em si mesmo. Assim faz x, excelente actor. Mas é para reaparecer máscara de jogo, irreconhecível

*

Problema: fazer ver o que vês por intermédio de uma máquina que não o vê como tu vês

*

OS LAÇOS QUE ESPERAM OS SERES E AS COISAS PARA VIVER

*

Faz aparecer o que sem ti porventura nunca seria visto

*

O verdadeiro é inimitável, o falso intransformável

*

Querem encontrar a solução aí onde só há enigma (Pascal)

*

Comunicar impressões, sensações

*

Retocar o real com o real

*

Montagem. Fósforo que sai de repente dos teus modelos, flutua em redor deles e liga-os aos objectos.

(azul de Cézanne, cinzento de Greco)

*

Ritmos.

O poder supremo dos ritmos.

Não é durável se não o que é captado pelos ritmos.

Dobrar o fundo à forma e o sentido aos ritmos

*

Qualidade de um mundo novo que nenhuma das artes existentes deixaria suspeitar

*

O real não é dramático. O drama nascerá de uma certa marcha de elementos não-dramáticos

Expressão por compreensão. Pôr numa imagem o que um literato demoraria por dez páginas

*

Com o nítido e o preciso forçarás a atenção dos desatentos de olhos e de ouvidos

*

O real em bruto não resulta por si mesmo no verdadeiro

*

No rito católico-grego: «Está atentos!»

*

A emoção nascerá de uma mecânica, do constrangimento a uma regularidade mecânica.

Pensar em certos grandes pianistas para o compreender

*

Fazer leis de ferro nem que seja para obedecer ou desobedecer com dificuldade

*

Dar aos objectos o ar de terem vontade de lá estar

Olha como um pintor. O pintor cria ao olhar

*

Que poder têm as coisas que conseguimos por acaso!

*

Tirar as coisas do hábito, descloroformizar

*

O silêncio é necessário à música mas não faz parte da música. Ela apoia-se nele

*

Cézanne: «a cada pincelada arrisco a vida»

slideshow

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